27 de nov de 2013

Aprender a amar

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Nelson Mandela

Hoje aprendi essa verdade com meu brilhante aluno Silvio Alves.

20 de nov de 2013

Igrejas viram boate, livraria e cervejaria

"E no oitavo dia o homem criou a cerveja."

Com esse slogan uma cervejaria foi aberta onde antes era uma igreja do início do século XX, nos EUA.

O mundo mudou. Na Holanda, igrejas dos séculos XIX estão virando livrarias.

http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2013/11/conheca-igrejas-centenarias-que-viraram-cervejaria-livrarias-e-boate.html

15 de nov de 2013

"Tô" no Twitter

Eu já "tava" lá no Facebook.

Agora me rendi ao Twitter.

@denise171171

8 de nov de 2013

Mulheres gordas, mulheres brasileiras

Com barro nas mãos ela faz arte. A exposição “Mulheres do Brasil”, da artista plástica Eliana Kertész, é prova de que argila é matéria-prima para produzir beleza.

As salas nobres do Palácio do Planalto receberam as peças. São elas, as mulheres do nosso Brasil, retratadas em barro, mas também em bronze. Tem Dona Flor, Dona Sinhazinha (cuja peça faz parte do acervo da presidente Dilma Rousseff), As Candangas, Rosalinda, Celeste, Preta, Viriadiana, Donatela, Lina, Tereza, Eva. Tem ainda as mulheres de Jorge Amado: Dona Norma, Beatriz, Tereza Batista, Gabriela, Negra Juventina, Bolo Fofo, Dada e Estrela.

Todas têm um traço em comum: são gordas. Isso mesmo. Fofas, gordas, farturentas, redondas. É uma crítica à beleza magra e um elogio às curvas da mulher normal, à beleza da brasileira.

A artista baiana, autodidata em seu trabalho, registrou assim sua obra: “diante de um bloco de barro, me sento e toco. Minhas mãos não sabem o que fazer. Passeia, desliza, aperta. Amassam e vão obedecendo aos caminhos que o barro sugere. Volumes, curvas, abundância, exagero, fartura. Assim, nascem minhas gordas. Generosas, sensuais, extravagantes, redondas como o mundo, onde cabem todas as curvas e movimentos. Onde cabem todos os sentimentos.”

Particularmente, dou nota dez à exposição. Realista, de bom gosto, com arte. Assim percebi que a artista retratou-nos. Retratou a mulher guerreira, sensível, mãe, trabalhadora e meiga do país. Também tocou no aspecto físico, mostrando que o preconceito que a gorda sofre deve, sim, acabar.

Como fui obesa mórbida sei que aquelas formas retratadas nem sempre agradam. Mas percebi que também tem beleza mesmo com alguns quilinhos a mais. Tudo depende do olho de quem observa. A balança não precisa ser uma inimiga. A fartura da mulher brasileira merece um olhar singular. Eliana Kertész teve sensibilidade ao mostrar esse outro lado.


2 de nov de 2013

Os negros e o resgate da história protestante

A noite de autógrafo do livro “Protestantismo, Escravidão e os Negros no Brasil” foi marcada por emoção, música e muitas histórias.
Professor e escritor Loiola, Pra. Waldicéia e Wilson Barboza

O lançamento aconteceu no dia 31 de outubro, na Casa da Cultura da América Latina, em Brasília. Um coquetel abriu a celebração e cerca de 50 pessoas marcaram presença para prestigiar o escritor, reverendo e teólogo José Roberto Alves Loiola, da Igreja Metodista. Entre os participantes, estudantes de Teologia da Faculdade Evangélica (onde Loiola ministra aulas na área de Bíblia e história da igreja), Rev. Euler Alves de Oliveira (Igreja Metodista), Rev. Wellington Pereira (Visão Mundial), Moredison Cordeiro (subsecretário de Ações Afirmativas e Comunidades Tradicionais da SEPIR/DF), Silvio Moraes (diretor de Ações Afirmativas da SEPIR/DF), Pra. Waldicéia de Moraes T. da Silva (presidenta da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil), Wilson Barboza da Silva (conselheiro pela ANEB do Conselho de Defesa do Direito de Negros do DF), pastor e professor Thiago Fazzio (coordenador do curso de Teologia da Faculdade Evangélica), Silvania Timóteo (sub-secretaria de Enfrentamento de Violência contra a Mulher da Secretaria de Estado da Mulher do DF) e Quico Fagundes (violonista e compositor) que abrilhantou a noite com as músicas “Vem comigo”, de autoria de Sérgio Pimenta, e “Seja a tua palavra”, de autoria do próprio Quico.

Um livro único cuja pesquisa – que durou dois anos, envolveu muito esforço do autor e foi resultado da dissertação de mestrado. O professor Loiola comentou que a ideia foi responder à pergunta sobre o tipo de relacionamento que existiu entre os imigrantes metodistas que vieram do sul dos Estados Unidos e os negros no Brasil. Essa época era o Brasil Império, ainda vigorava a escravidão no país. A pesquisa aconteceu na região de Piracicaba, interior de São Paulo, sendo sobre os anos de 1867 a 1930. Por que essa data e cidade? Foi em 1867 que se formou a primeira Igreja Metodista entre os imigrantes no Brasil. Já em 1930 os metodistas iniciaram administração autônoma da igreja, não sendo mais dirigidos pelos missionários norte-americanos. À luz de ambos acontecimentos, o livro retrata a vida dos imigrantes e a relação estabelecida com os brasileiros afrodescendentes.
Pra. Waldicéia Silva, Silvania Timóteo, Wilson Barboza e José Roberto Loiola 

Apesar de a literatura brasileira ser farta sobre relatos a respeito da escravidão no Brasil, existia uma lacuna histórica quanto aos negros e a igreja protestante brasileira. Sobre esse tema há pouco estudo. Por isso, a importância singular da obra que preenche um vazio de informações e servirá de base para pesquisas futuras. “É rara a literatura sobre a questão racial e os protestantes. Lemos muito sobre escravidão, mas os livros não enfocam sobre a participação dos protestantes no processo de luta contra a escravidão. Por isso o livro é tão importante”, disse Viridiano Custódio de Brito, secretário da Promoção da Igualdade Racial do DF (SEPIR/DF), que lembrou ainda que grande parte dessa população é membro das igrejas evangélicas atualmente.

Quando se observa a participação dos negros na religião, a pastora e professora Waldicéia de Moraes T. da Silva comentou que as estatísticas, de acordo com Instituto Laeser, apontam que hoje 53% da população brasileira é de negros e pardos e que a maioria está nas igrejas protestantes pentecostais. Apesar disso, os negros ainda não ocupam espaço de liderança. Não exercem o pastorado, por exemplo, que é formado basicamente por homens brancos.

O discurso final da noite foi do autor. Emocionado, depois de agradecer a Deus, a esposa Lisette Jung Loiola, aos filhos e pais, o professor Loiola contou um pouco de sua história, comentando que se autodeclarava pardo. É filho de mestiço e descendente de africano. Mas perdeu o registro e teve que tirar outro, aos 19 anos de idade. Então, naquele segundo documento, veio escrito que era da cor negra. “Tive uma crise de identidade racial.  Mas só aí me admiti negro, vi meu valor, vi minha história”, disse Loiola.

O lançamento do livro do professor Loiola aconteceu em data importante para o segmento evangélico mundial, pois coincidiu com o aniversário de 496 anos da Reforma Protestante, liderada pelo monge Martinho Lutero.
Loiola lembrou a data histórica e mencionou que ainda hoje é preciso reformar e reafirmar a fé nas cinco ideias básicas defendidas por Lutero: sola fide (somente a fé), sola scriptura (somente a Escritura), solus Christus (somente Cristo), sola gratia (somente a graça) e soli Deo gloria (glória somente a Deus).

Realmente, uma ótima coincidência de datas. A reforma iniciada na Alemanha marcou nova visão religiosa para as pessoas da época. Que o olhar sobre os negros protestantes brasileiros também traga novos tempos de inclusão, comunhão e liberdade para se professar a fé em Cristo com respeito e consideração a todos, sejam brancos, negros, amarelos.

Depoimentos
“Esse livro é um dos primeiros relatos da história dos negros numa visão protestante. Nessa área a literatura é escassa. E os próprios negros contando a sua história é ainda mais raro.”
Ana Elza Silva Barbosa, estudante de Teologia

“O que ouvimos nas igrejas protestantes é que não existe discriminação, racismo, preconceito. Afinal, temos muitos membros negros. Sim, temos muitos membros negros. Mas onde eles estão? Na nave do templo. Na liderança existem poucos negros e negras. Nos concílios, conferências, convenções a liderança é de homens brancos. Mulheres quase inexistentes e negros também, seja homem ou mulher. Se não existe racismo e preconceito, então Deus só tem chamado para homens brancos exercerem cargos de liderança? Deus não chama mulheres (brancas e negras) e também não chama homens negros? Lógico que chama. Gálatas 3:28 nos mostra que, até Cristo, era a lei. Depois de Jesus Cristo, não há judeu, nem homem, nem mulher porque todos somos um em Cristo. Depois que Cristo veio não pode ter discriminação de raça, posição social ou gênero porque Ele nos olha com o mesmo chamado e a mesma capacidade para fazer a Sua obra. Jesus veio para trazer um efeito igualador ao evangelho. Queremos viver esse efeito. Queremos estar no templo, mas também na liderança. E sem discriminação.”
Pra. Waldicéia de Moraes T. da Silva, presidenta da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil

“Gostei da temática do livro porque abordou sobre os que ainda lutam para serem incluídos. O livro é direcionado para todos, mas serve para incluir os negros que ainda estão à margem.”
Edna Botelho Salvador, estudante de Teologia

Participantes da noite de autógrafos

“Esse é um momento importante quando vemos um livro sendo lançado sobre nós, os negros, e os protestantes. Ainda hoje as negras são consideradas como mulatas bonitas que servem para sambar no Carnaval e também na música somos referência. Mas nós queremos, sim, ser referência também como escritores neste pais. Não tem pessoa melhor para contar a nossa história do que nós mesmos que sofremos a discriminação de raça e de cor. Os negros não têm muito essa oportunidade, pois quem escreve é quem estuda. Todas as religiões devem somar em defesa dos negros e negras para que cheguemos a uma sociedade sonhada por Deus onde todos somos iguais.”
Silvania Timóteo, sub-secretaria de Enfrentamento de Violência contra a Mulher da Secretaria de Estado da Mulher do DF

“O livro é excelente porque resgata a história brasileira. Isso é salutar para a sociedade contemporânea.”
Thiago Fazzio, pastor e coordenador do curso de Teologia da Faculdade Evangélica

Texto: Denise Santana, jornalista
2/11/2013