25 de abr de 2014

Brasília em palavras, ontem e hoje

Texto: Denise Santana


Ipê
Árvore frutífera plantada na rua
Pizza da Dom Bosco
Pastel da Rodoviária
UnB
UniCEUB
Cine Brasília porque pegar um cineminha é bom demais
O que eu não vi, mas me contaram
Poeira antes do asfalto
Barro vermelho
Catetinho
Athos Bulcão
Igrejinha
Congresso Nacional
Nordestinos chegando de caminhão
Os candangos
Na cabeça, chapéu de palha. No corpo, roupa simples.
Na mala, farinha, feijão de corda, rapadura, carne seca, fumo, água ardente e esperança
Barracos de madeira
Vila Planalto
Pilotis, cobogó
Lago Paranoá
Eixão
SQS e SQN
Quadras com números, as superquadras
Riscos e rabiscos na prancheta por Oscar Niemeyer
Palácios: do Planalto, do Buriti, do Jaburu
O que eu vi porque vivi. E vim te contar como é Brasília
Pontão do Lago Sul
Igreja Memorial Batista
PIB
Não sabe o que é? Primeira Igreja Batista, no Núcleo Bandeirantes
Catedral
Avião. O desenho é um avião. Arquitetura ímpar
Ausência de mar
Mas alguém disse que o céu é o mar da cidade
Patrimônio cultural
Capital da esperança
Roque, MPB, sertanejo
Clube do Choro
Casa do Cantador
Capital Inicial, Paralamas do Sucesso
Libanus, Beirute
Happy hour
Bate-papo com os amigos nos barzinhos da cidade
Chopp gelado
Flamenguistas
Além do Plano Piloto
Sobradinho
Ceilândia
Taguatinga Norte e Sul
Águas Claras
Vicente Pires
Parkshopping
Um conjunto de lojas dentro do Conjunto Nacional
Brasilienses
Sim, somos nascidos aqui. Somos brasilienses
Quem são os candangos? Os que vieram erguer o sonho de Dom Bosco e acreditaram na ousadia de JK
Torre de TV
Cerrado
Árvore retorcida
Seca
Lábios rachados
Baixa umidade
Cigarra cantando é sinal de chuva chegando
Luzes de Natal nos ministérios
Troca da bandeira na Praça dos Três Poderes
Escola Parque
W 3 Sul
E a Norte? Também tem
Aeroporto
Expotchê virou tradição aqui
Uma mistura de gaúchos, mineiros, paraibanos, baianos. Todos os brasileiros
Muito verde
Muitos parques
21 de abril, nossa data
Pedalinho e piscina com onda no Parque da Cidade. Uma revitalização urgente, por favor
Feira do Guará
E a do Paraguai? Tá aí também
SIA
Papuda
Campo da Esperança, a cidade dos mortos
Por que trânsito parado? Por causa das manifestações no meio da rua. Cidade da política
Roriz, Arruda, Cristovam, Agnelo. Alguns governos
Câmara dos Deputados
Senado
Câmara Legislativa
EPTG, EPNB. Tudo engarrafado, com ônibus quebrado
Ponte JK
Ponte Costa e Silva
Assim é a cidade. Tão linda, diferente
Toda planejada
Setor Hoteleiro
Setor Hospitalar
Setor de Embaixadas
Setor de Clubes Sul
Coração do Brasil, de braços abertos para todos os brasileiros
O que Brasília é para você?

23 de abr de 2014

A internet e a religião (ou a falta dela)

Os tempos contemporâneos são um desafio para a fé? As pessoas creem menos hoje? Como está a relação com o sagrado?

Um estudo realizado nos Estados Unidos relaciona o crescimento da internet ao crescimento dos ateus e das pessoas sem religião.

Organizada pelo pesquisador Allen Downey, a pesquisa mostra que entre 1990 e 2010 o número de pessoas que perderam a fé aumentou de 8% para 18%. Ou seja, existem mais ateus e agnósticos atualmente.

 O estudo aponta ainda que quanto mais a pessoa estuda menos fé tem. Isso mesmo. Quanto maior o grau de educação, maior a parcela da população que não está ligada a nenhuma religião.
 No período estudado, o número de pessoas com ensino superior nos Estados Unidos aumentou de 17,4% para 27,2%.

Nem todos concordam que a internet afasta os fiéis da religião. Especialistas no tema afirmam que o aumento de ateus e pessoas sem religião não está ligado ao crescimento da internet porque esse meio de comunicação pode estreitar laços entre os fieis e líderes religiosos. Quer um exemplo? O Papa Francisco que já possui 13 milhões de seguidores no "Twitter".

A realidade no Brasil - Dados do IBGE mostram que no Brasil existem 15 milhões de ateus e agnósticos (pessoas que não acreditam em qualquer tipo de entidade superior ou espiritual e pessoas que apenas não tem religião, mas acreditam em Deus ou outra divindade). Entre 1990 e 2013 o número de pessoas sem religião no Brasil subiu de 4,8% para 8%.

O número de católicos caiu 1,3% e o de evangélicos aumentou 61% em dez anos no País. Hoje, 42,3 milhões de pessoas se declaram evangélicas no Brasil, contra 124,9 milhões de católicos.


O número de espíritas se manteve estável, com cerca de 3,8 milhões de fieis. Mas a maior parte dos religiosos com ensino superior está entre os espíritas, cerca de 31% cursaram a faculdade. 

9 de abr de 2014

Manifestação contra estupro

Mulheres e homens uniram-se contra violência sexual. A manifestação aconteceu dia 5 de abril, em Brasília, e contou com a participação de 80 pessoas, de acordo com a Polícia Militar.

O movimento faz parte da campanha “Não mereço ser estuprada” que surgiu nas redes sociais, contestando a pesquisa intitulada “Tolerância social à violência contra as mulheres”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que afirmou que 65% dos entrevistados concordaram com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Dias depois de publicada a pesquisa, o Ipea divulgou nota admitindo que errou e afirmando que, na verdade, 26% dos entrevistados concordavam com a afirmativa (e não 65% como fora inicialmente divulgado).

O estudo também revelou que 35% dos entrevistados afirmaram que “se as mulheres soubessem como se comportar haveria menos estupros”. A pesquisa ouviu 3.810 pessoas, entre maio e junho de 2013, em 212 cidades. Dos entrevistados, 66,5% eram mulheres.

A concentração dos ativistas aconteceu no Museu da República. Depois, em marcha, fecharam uma das pistas da Esplanada seguindo em direção à plataforma inferior da Rodoviária.
Em marcha, manifestantes saíram do Museu da República em direção à Rodoviária

Foi uma tarde democrática. O microfone foi aberto e todos tiveram a oportunidade de se manifestar pacificamente. Os discursos foram em tom crítico, mas respeitoso. Com cartazes, corpo pintado e palavras de ordem, os manifestantes gritavam frases como “vem pra luta contra o machismo”; “o corpo é meu, a cidade é nossa”; “ninguém merece ser estuprado”; “a culpa do estupro é sempre do estuprador. A culpa não é da vítima”; “enquanto houver 26% de covardes, haverá 100% de luta”; “queremos zero por cento”; “machismo mata”.

O movimento, que também aconteceu em outros estados brasileiros como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, surgiu a partir da campanha on-line da jornalista Nana Queiroz que publicou, em seu perfil do Facebook, uma fotografia com a frase “não mereço ser estuprada”. Ao fundo da imagem, o Congresso Nacional. A página na rede social contra o estupro teve tanto sucesso que contou com o apoio da presidente Dilma Rousseff. Os anônimos também se somaram ao clamor. Foram mais de 10 mil curtidas em poucas horas. Admirada com a grande repercussão da campanha, Nana Queiroz enfatizou, em entrevistas concedidas à imprensa brasiliense, que as redes sociais são uma boa ferramenta para mobilização.

Em uma mensagem publicada esta semana no Facebook, Nana postou um adesivo criado pelo Instituto Maria da Penha. O adesivo é para ser colado nas vitrines das lojas que roupas femininas e afirma que “26% não é desconto. É a quantidade de gente que acha que o jeito da mulher se vestir justifica o estupro. O número mudou, mas ainda é absurdo. Essa moda tem que acabar”. Em outro post, a jornalista diz que “o maior erro não está nos números do Ipea, mas na cabeça de milhares de brasileiros”. Nana incentiva que as pessoas curtam e compartilhem o adesivo do Instituto.

O espaço para as manifestações nas redes sociais é realmente democrático. O Facebook que o diga. Na hashtag #nãomereçoserestuprada participaram desde pessoas sem vínculo ideológico ou partidário até movimentos organizados. Várias fotografias foram postadas sobre a manifestação em Brasília.

A publicação de Tais Carine afirma: “eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que escolhi. E poder me assegurar que de burca ou de shortinho todos vão me respeitar”. Os homens também aderiram ao protesto. Almir Rosa publicou que apoia totalmente a manifestação contra o estupro. Fabiana Ferraz enfatizou que “o lance do #nãomereçoserestuprada virou meme porque a pesquisa do Ipea estava errada. Acho que as pessoas se esqueceram que, apesar da farofa feita por um monte de gente querendo aparecer nas redes sociais, isso é sério. Falar de estupro nunca é engraçado. Pelo contrário: é sempre sombrio. Toda mulher tem medo de ter sua intimidade invadida, independentemente de usar saia longa, blusa fechada, short curto, se volta para casa cedo ou tarde, se tem uma ocupação digna ou de caráter duvidoso, se é rica ou pobre. Nenhuma mulher merece isso”.
Manifestação na Rodoviária

A preocupação faz sentido porque os números do desrespeito às mulheres são grandes. O Distrito Federal registrou média de dois estupros por dia (dados de janeiro e fevereiro deste ano). Mais da metade das vítimas são crianças e adolescentes. As mulheres também são alvo desse crime, sendo Ceilândia a região administrativa com maior registro de ocorrências, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.



Mas os números são maiores. Na realidade, nem todos os casos de estupro são registrados nas delegacias. O que pode impedir a vítima de denunciar o agressor? A vergonha e o medo de represálias são apontados como fatores que ajudam os criminosos a ficarem impunes. O pior: muitas vezes os criminosos fazem parte do vínculo de amigos ou parentes. Sabe-se que estão bem próximos das vítimas. São pais, irmãos, amigos. Esse é outro fator que pode impedir que a pessoa agredida denuncie o agressor.

A manifestação conta o estupro foi bem divulgada nas redes sociais e recebeu a cobertura da imprensa local. Jornais, TVs e rádios marcaram presença registrando cada discurso, ouvindo a opinião das pessoas. Um barulho positivo para mostrar que o Brasil ainda precisa avançar no combate à violência contra a mulher.

Imprensa presente na manifestação contra o estupro, em Brasília

Texto e fotos: Denise Santana, jornalista, professora e teóloga

8 de abr de 2014

Vem aí, o Prêmio Paulo Octávio de Jornalismo

Vale apenas para reportagens sobre Brasília.

O regulamento e as categorias podem ser vistos no site: http://premiopaulooctavio.com.br/