9 de nov de 2015

34 milhões de Bíblias distribuídas em 2014

Número recorde é divulgado no Relatório de Distribuição de Escrituras publicado pelas Sociedades Bíblicas Unidas (SBU). A Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) foi destaque, com 7,6 milhões de Bíblias distribuídas no período.

O ano de 2014 testemunhou o maior número de Bíblias completas distribuídas pelas Sociedades Bíblicas em todo o mundo: foram quase 34 milhões, mostrando um aumento de 6% em relação a 2013, e 14% mais do que a quantidade registrada no primeiro ano da década.

Os números são do Relatório de Distribuição de Escrituras das Sociedades Bíblicas Unidas (SBU), que reúne dados de distribuição de Escrituras gerados pelas Sociedades Bíblicas a cada ano. Muito mais Escrituras foram distribuídas no Brasil do que em qualquer outro país no mundo. Seus 7,6 milhões de Bíblias completas representam mais da metade do total distribuído nas Américas, e mais de um quinto da distribuição de Escrituras do mundo no ano passado. Ao todo, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) distribuiu 288.700.000 de Escrituras - mais de dois terços do total mundial.

Em conjunto, as Sociedades Bíblicas distribuíram 428.200.000 Escrituras em 2014, incluindo Bíblias completas, Testamento, Evangelhos e outros itens bíblicos - o que representa um aumento de 7% e 17% em 2013 e 2010, respectivamente. Os maiores índices foram verificados nas Américas, com 341,5 milhões de exemplares, incluindo 14,4 milhões Bíblias completas. Esta região apresentou um aumento significativo nos cinco primeiros anos da década, sendo o total de 2014 quase 20% maior do que em 2010.

A marca obtida pela SBB no ano passado, além de estar associada a seus programas sociais e ao bom relacionamento com todas as igrejas, foi impulsionada pelos muitos milhares de Escrituras entregues durante a Copa do Mundo. "Os brasileiros adoram futebol, e a Copa do Mundo foi uma oportunidade maravilhosa para compartilhar a Palavra de Deus com muitos torcedores, comemorando o torneio", ressalta o diretor executivo, Rudi Zimmer.

Pelo mundo

Entre os países que merecem destaque, Cuba é um exemplo de crescimento rápido da Igreja, que está provocando uma enorme demanda por Escrituras. No ano passado, foram distribuídos 1,5 milhões de Escrituras - mais que o dobro do total registrado em 2010. E o número de Bíblias completas foi quatro vezes maior do que aquele verificado em 2013, graças ao projeto das Sociedades Bíblicas Unidas, Missão um milhão de Bíblias para Cuba, que tem como objetivo fornecer um milhão de Bíblias completas aos cristãos desse país.

Os totais de distribuição de Escrituras na África variam de ano para ano, mas tem havido um aumento constante da distribuição de Bíblias completas, desde o início da década. Os 7,3 milhões de Bíblias distribuídas em 2014 representam um aumento de 31% em relação à quantidade distribuída em 2010.

Nigéria e África do Sul continuam a ser os gigantes da distribuição de Escrituras nessa região, com 4,5 e 1,5 milhões de cópias, respectivamente, mas alguns aumentos notáveis estão ocorrendo em países menores. Por exemplo, a conturbada República Centro-Africana viu sua distribuição anual de Bíblias triplicar de menos de 9.000 em 2010 para quase 29.000 em 2014, a maioria dela de Bíblias completas.

Na Europa e no Oriente Médio, foram distribuídos 7,9 milhões de Escrituras em 2014, representando um aumento de quase 12% em relação a 2010. No ano passado, 2,8 milhões de Testamentos foram distribuídos na região - 23% a mais que em 2013 e 126% a mais que em 2010.

O aumento ocorrido em alguns lugares foi surpreendente. O número de Novos Testamentos distribuídos na Síria, devastada pela guerra, foi cinco vezes maior em 2014 do que em 2010, antes do início do conflito. E em um dos anos mais difíceis da história recente na Ucrânia, a Sociedade Bíblica distribuiu, em 2014, quase 70 mil Novos Testamentos - 48% a mais que em 2012 e 10 vezes mais do que em 2010.

Na Ásia - região mais populosa do mundo – foi registrado crescimento de 6% na distribuição da Bíblia entre 2013 e 2014. Os aumentos mais significativos ocorreram nos primeiros cinco anos da década, em vários países asiáticos, incluindo dois gigantes, Índia e China, que distribuiram 22% e 10% a mais em 2014 do que em 2010. Nas Filipinas - a maior nação cristã da Ásia – foram distribuídos 42% mais Escrituras em 2014 do que em 2010, e em Myanmar o aumento chegou à marca de 45%.

Além da distribuição de um número recorde de Escrituras impressas, em 2014, as Sociedades Bíblicas Unidas também relataram um aumento significativo na distribuição de artigos bíblicos em formatos digitais. Neste item, estão incluídas as versões em CD, cassete, DVD, MP3, texto e downloads de produtos pela Internet, mas não são computados os textos bíblicos das Sociedades Bíblicas acessados por meio de aplicativos como YouVersion ou pesquisa bíblica. Mais de dois milhões de Escrituras foram distribuídas desta forma, em 2014, representando 8% a mais do que em 2013 e três vezes a marca de 2010.

A SBB – A Sociedade Bíblica do Brasil é uma entidade beneficente de assistência social, de finalidade filantrópica, educativa e cultural. Sua finalidade étraduzir, produzir e distribuir a Bíblia Sagrada, um verdadeiro manual para a vida, que promove o desenvolvimento espiritual, cultural e social do ser humano, provocando, assim, a transformação daquele que com ela entra em contato. Para cumprir a missão de distribuir, de forma relevante, a Bíblia a todas as pessoas desenvolve programas de assistência social em todo o País. Fundada em 1948, construiu sua trajetória com base na missão de "promover a difusão da Bíblia e sua mensagem como instrumento de transformação e desenvolvimento integral do ser humano”.

A SBB faz parte das Sociedades Bíblicas Unidas (SBU), uma aliança mundial fundada em 1946 com o objetivo de facilitar o processo de tradução, produção e distribuição das Escrituras Sagradas por meio de estratégias de cooperação mútua. As SBU reúnem 146 Sociedades Bíblicas, atuantes em mais de 200 países e territórios. Essas entidades são orientadas pela missão de promover a maior distribuição possível de Bíblias, numa linguagem que as pessoas possam compreender e a um preço que possam pagar.

Informações para a Imprensa:
Oficina da Palavra: (11) 3289-2139 – Contatos: Denise Lima: (11) 99611-7381 e Luciana Garbelini: (11) 99292-2131


Fonte: Luciana Garbelini (este texto foi redigido pela assessoria acima citada).

27 de out de 2015

Semana de Teologia

De 26 a 30 de outubro de 2015, às 19:30, na 611 Norte (Asa Norte, Brasília), na FTBB (Faculdade Teológica Batista de Brasília).

Entrada gratuita, aberta a todos. Não precisa fazer inscrição. É só aparecer e aprender mais.


1 de set de 2015

Ainda

Eu aprendi a usar a palavra ainda. Ela faz toda a diferença.

Eu não sou ainda, mas eu serei.

Eu ainda não posso, mas eu poderei.

Eu não tenho ainda, mas eu terei.

Esperança ativada, força renovada.

A fé me ajuda a ver o que ainda vou viver.

1 de jul de 2015

Que sexo frágil que nada

Uma convidou a outra. Elas se conectaram nas redes sociais para divulgar a aula. Depois se encontraram para aprender a arte e a técnica do krav magá, um método israelense de defesa pessoal.
Instrutores Vitor, Vanessa e Pierro 

A noite foi só para elas. Cerca de 50 mulheres se reuniram na Terceira Igreja Batista de Brasília, campus Asa Norte, em 30 de junho, para aprender a se defender em casos de violência. Assaltos e estupros são os casos mais comuns de problemas que a mulherada sofre nas ruas.

Depois das devidas apresentações, a pastora e pedagoga Vilma Lira fez uma oração. A aula veio em seguida. As dicas de autodefesa foram ministradas por Vanessa Ribeiro, instrutora chefe de krav magá no Distrito Federal, membro da Federação Sul Americana de Krav Magá. Ela contou com o apoio dos instrutores Pierro Pedercini e Vitor Sad.

A instrutora acredita que, tempos atrás, ficava em segundo plano uma mulher pensar em se defender. Poucas se preparavam para isso.  “Mas hoje a defesa pessoal é de primeira necessidade. Está na hora de a mulher tomar para si a responsabilidade de sua própria segurança”, disse Vanessa que luta krav magá há 18 anos e dá aula há 15. Ela começou a treinar incentivada pelo irmão que é instrutor também. Depois disso, mudou-se do Rio de Janeiro para Brasília para se dedicar à arte. Vanessa conta que nunca sentiu resistência por ser mulher, lutar e dar aula, principalmente em uma área onde a maioria dos alunos é do sexo masculino. Pelo contrário. Admite que eles pensam que ela é competente. Se chegou onde chegou, na liderança da luta, é porque realiza bem o que se propõe a trabalhar. Se a mulher é sexo frágil como se diz popularmente? Vanessa tem uma resposta rápida para essa frase: “sexo frágil é o escambal. Não quero ser mais uma vítima”, argumenta.  As alunas dão risada da frase da instrutora e aprendem que, pelas técnicas, podem se proteger atacando pontos fracos de um homem agressor como olhos, pescoço e genitália. Não é por meio da força física que uma mulher se defende de uma agressão. É lógico que, fisicamente, os homens são mais fortes. Mas com técnica apropriada é possível atacar pontos sensíveis e garantir a segurança. Controle emocional também é fundamental para saber como agir na hora da emergência.

O instrutor Pierre, bacharel em Direito, concorda com a professora. Ele é instrutor de krav magá há oito anos. Entende que as aulas são importantíssimas para as mulheres terem maiores noções de como ter um comportamento defensivo.  “A mulher tem que entender que não precisa ser vítima. Nos cursos elas aprendem que podem se defender em situações de perigo. Elas têm a escolha de se capacitar para se defender”, comentou Pierre.
Alunas aprendendo sobre técnicas de defesa pessoal de krav magá

A iniciativa da igreja faz parte de um projeto maior, o Corre Bela. A psicóloga Andrea Suhet Moreira é uma das voluntárias que trabalha no projeto voltado para servir às mulheres, de todas as idades, independente da religião. Todas são bem-vindas. “Essa aula de krav magá é importante para nós aprendermos a nos cuidar. Nosso país vive uma triste realidade de violência”, disse Andrea.

Fernanda Mattos, bacharel em Direito, é outra voluntária do Corre Bela. Além de incentivar a atividade física, acredita que o projeto é uma oportunidade de convidar mulheres não evangélicas para conhecer a igreja, proporcionar novas amizades, ouvi-las e ter um momento de comunhão. “Nós interagimos e mostramos o amor de Jesus dando um café, um bate papo, um abraço. Nós queremos nos importar com as mulheres. Na nossa sociedade existe a ideia de que a mulher não tem valor. Mas nós podemos nos juntar, cuidar umas das outras. Podemos cuidar das que têm problemas enormes e das que não têm”, disse Fernanda.

A aula de krav magá foi uma iniciativa aprovadíssima pelas participantes. A engenheira ambiental Eveline Moraes, 27 anos, é católica.  Disse que aprendeu noções básicas de como se proteger. Destacou que, para isso, fazer um trabalho emocional é fundamental. “Temos que entender que não queremos ser vítima”, disse.

Yeda Moraes, professora, 29 anos, também é católica e foi à Terceira Igreja pela primeira vez por convite de uma amiga. “Entendi que não preciso ser refém da violência”, comentou. Também da mesma ideia compartilhou Alessandra Feliz, bancária, 42 anos. Ela é católica e ficou encantada pelo projeto envolver mulheres de idades tão diferentes em busca de um objetivo. “Aqui temos uma boa ideia, um bom motivo para estarmos juntas. Minha amiga me convidou pelo Facebook. Eu participei e gostei. Mas minha amiga acabou nem vindo à aula”, disse Alessandra.
Instrutores: Vanessa, Pierro e Vitor

Karina Cham, bióloga, esportista, é membro da Terceira Igreja Batista. Participou da iniciativa e disse que foi animada, divertida e teve um aprendizado útil. “Temos que nos conscientizar que precisamos estar atentas para a nossa própria segurança”, disse.

Fernanda Mattos explica que, além do projeto Corre Bela que oferece atividade física gratuita como caminhada e corrida, as voluntárias da igreja também estão organizadas e iniciaram atividades junto às mulheres em situação de prostituição, também com dependentes químicas via projeto Casa Rosa (na Cristolândia, na Ceilândia). Elas atuam ainda com assistência às detentas da Penitenciária Feminina do DF, popularmente conhecida como Colmeia. Na prisão, as mulheres têm o dia da beleza com cuidados com os cabelos e maquiagem. Recebem ainda mensagens bíblicas e são ouvidas por meio de um trabalho de aconselhamento. Na última vez que as voluntárias visitaram a prisão, receberam doações de cabelos das detentas que foram doados para fazer peruca no projeto social do Hospital de Base de Brasília. A ideia é trabalhar com a mulherada nas áreas física, emocional e espiritual.

Fique por dentro
Para saber mais sobre krav magá, acesse: www.kravmaga.com.br

Para mais informações sobre projeto Corre Bela, acesse: www.facebook.com/correbela

Para denunciar violência contra a mulher, acesse:
http://www.mulher.df.gov.br/canais-de-atendimento.html


Texto: Denise Santana, jornalista, teóloga e professora

13 de jun de 2015

Reflexão sobre a ‪‎Parada Gay‬, o travesti e a cruz

O texto é assinado pelo Rev. Augustus Nicodemus Lopes. Foi postado no "Facebook", em 10 de junho de 2015. Tomei a liberdade de publicá-lo aqui no meu blog, com a devida identificação do autor, claro!



Não estou ofendido
"Quando vi as imagens da transexual "crucificada" na parada gay não me senti ofendido, como cristão. É óbvio que discordei da estratégia de marketing dos organizadores e sem dúvida percebi que o alvo era mesmo a provocação aos cristãos. Embora o episódio tenha sido justificado como sendo uma forma de expor a humilhação sofrida pelos gays, a impressão que dá é outra.
Mas, afora isto, não me senti provocado, atingido ou ofendido. Por uma razão simples. Ali não estava acontecendo uma profanação de objetos sagrados para mim - no caso, a cruz - simplesmente por que para mim uma cruz de madeira nada tem de sagrada nela. Meu cristianismo evangélico reformado não tem templos sagrados, objetos sagrados, images sagradas, símbolos sagrados ou líderes sagrados. Por isto não ficamos explodindo bombas quando zombam de Lutero, Zuinglio ou Calvino, quando tripudiam sobre a Bíblia ou quando picham as igrejas. E por isto eu não me sinto ofendido quando alguém usa uma cruz de madeira para suas manifestações anticristãs ou para outros objetivos.
As coisas que considero santas estão muito além do alcance dos homens, para que estes possam profaná-las. O meu Salvador está nos céus, o meu Deus é rei do universo, minha morada é celestial, a Palavra de Deus está escrita nos céus e é eterna, o pão e o vinho nada mais são que representações materiais daquele que se assenta no trono do universo. Realmente, não há nada no meu cristianismo que esteja ao alcance de quem deseja me ofender através da profanação.
Claro, para quem a cruz é sagrada, as imagens são sagradas, os templos são sagrados, seus líderes são sagrados... estes ficarão ofendidos. Eu os entendo. Devemos respeitar toda crença. Mas, no meu caso, uma transexual pendurada numa cruz provoca, no máximo, a confirmação do que eu já sei, que nenhum pecador consegue se livrar de Deus, ou daquilo que ele pensa que é Deus.
Só me vem à mente o Salmo 2:
1 Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?
2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo:
3 Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas.
4 Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles.
5 Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá."
Rev. Augustus Nicodemus Lopes

5 de jun de 2015

Mitos a respeito dos nomes (onomatomancia)

É uma crendice achar que nomes influenciam a vida da pessoa.  Tem gente que tem medo de dar um nome a um filho por considerar que o mesmo pode influenciar a vida da pessoa. Isso é onomatomancia que significa adivinhação do futuro de alguém por meio das correspondências astrológicas das letras do nome. A palavra vem do grego e significa onoma (nome) e manteia (adivinhação).

As pessoas que são adeptas a crer que o nome pode influenciar o destino de alguém são chamadas de anomatomantes, ou seja, adeptos da adivinhação dos nomes. Que nada mais é, de acordo com a Bíblia, uma abominação diante de Deus. Os nomes não podem influenciar nem para o bem nem para o mal. Se existe um nome que pode mudar a vida de alguém é o de Jesus.

Então, pensemos: não teria problema dar o nome de Nabuconodossor para um filho, por exemplo? Existem nomes que deveriam ser evitados não por crendice, mas porque pode trazer para a pessoa chacotas, gozações, bullying. Somente para evitar esses problemas é interessante evitar alguns nomes. Outra informação importante: a lei 6015/73 (artigo 55) dá possibilidade de mudar o pré-nome, em caso de expor o portador ao ridículo.


Fica a dica
Livro sobre o assunto: Dicionário Etimológico de Nomes Bíblicos, Ed. Vida Nova, de autoria do pastor Elias Soares de Morais, da Igreja Assembleia de Deus.


31 de mai de 2015

Oscar Niemeyer, a fé nos traços do arquiteto


Ele era comunista. Uns dizem que era ateu, outros que era agnóstico. Quem vai saber ao certo?
O que se sabe, sem dúvida, é que foi talentoso. E seus traços (riscos e rabiscos arquitetônicos) rodaram o mundo. 

Em Brasília não foi diferente. Todos conhecem os monumentos desenhados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Mas poucos sabem que esse carioca que morreu aos  104 anos, além de palácios, também pensou na religião. Projetou muitos templos singulares. Brasília é recheada deles: tem Niemeyer nos palácios – com capelas pequenas e inspiradoras à oração, tem nas ruas como nas entrequadras do Plano Piloto. 

A igrejinha, por exemplo, na 308 Sul, teve arte produzida a pedido de Sara Kubtischek, esposa do ex-presidente JK. Conta-se a história de que Dona Sara recebeu uma bênção que foi a cura de sua filha que estava doente. Por isso, desejou construir o templo. Assim surgiu a Igreja Nossa Senhora de Fátima cujo desenho é o chapéu de uma freira. Esse foi o primeiro templo de alvenaria erguido em Brasília e inaugurado em 1958. Perceba que a igreja foi construída e aberta ao público antes mesmo da grande inauguração da Capital que ocorreu em 1960.

Igrejinha, na 308 Sul



Aqui no cerrado Niemeyer projetou templos somente para o catolicismo, tanto romano quanto ortodoxo. Com sua proximidade ao poder governamental, tem obras assinadas dentro dos palácios. Mas a população que não frequenta os tapetes luxuosos pode apreciar Niemeyer nas ruas. A lista de suas obras inclui: Capela Ermida Dom Bosco, Lago Sul; Catedral Militar Rainha da Paz, Eixo Monumental; Capela Nossa Senhora da Conceição, Palácio da Alvorada; Catedral Metropolitana de Brasília, Esplanada dos Ministérios; Igreja Ortodoxa São Jorge, Lago Sul; Capela do Palácio do Jaburu, Palácio do Jaburu; Igreja Nossa Senhora de Fátima (Igrejinha), Asa Sul.

3 de mai de 2015

A fé não basta? Para quê o copo d’água? Para quê a venda de produtos?

Opinião

Uma análise sobre o mercado da fé no Brasil e o uso de símbolos (objetos) para receber bênçãos espirituais a partir das denominações neopentecostais Igreja Universal (IURD) e Igreja Mundial do Poder de Deus, lideradas pelo bispo Edir Macedo e Valdomiro Santiago de Oliveira.

A conduta nos cultos
Durante o culto inicia-se uma parte importante que é o momento de contar os depoimentos (que são chamados de testemunhos) sobre bênçãos financeiras recebidas, cura de doenças de todos os tipos e libertação de problemas espirituais que atrapalhava a vida do fiel ou de seus familiares. Esses depoimentos são gravados e depois são veiculados nos programas de TV das igrejas neopentecostais. Existe um convite para doação de dízimos e ofertas e, com isso,  reivindicar de Deus as bênçãos das quais se necessita. Uma das palavras chaves mais usadas nas igrejas neopentecostais é “eu determino”, uma maneira de dizer que as palavras do fiel são poderosas o suficiente para mover a mão de Deus a favor da petição. Ou seja, o crente pede, determina e a bênção esperada acontece. São vendidos todos os tipos de produtos. São oferecidos vários tipos de amuletos (objeto que se carrega por superstição, para se livrar de doenças e perigos) para dar suporte à fé das pessoas como água ungida, chaveiro, meia, azeite ungido, entre outros.

Os programas na TV divulgando os projetos para alcançar a bênção
Sábado pela manhã. Basta ligar a TV, a partir das 8 horas, para assistir ao “Programa Nosso Tempo”, TV Brasília, canal 6, apresentado por vários bispos. Eles se revezam entre contar testemunhos, comentar sobre as campanhas da Igreja Universal e convidar os telespectadores para participar das campanhas. Na telinha aparecem os caracteres informando dias, horários dos cultos, endereço e o nome da campanha. A frase a seguir foi copiada da tela da TV durante o programa: “faça como milhares de pessoas e receba o seu milagre. Reunião domingo, às 7h, 9h30, 15h e 18h, na EQS 212/213”. Os apresentadores divulgam cultos que acontecem nas regiões administrativas da Asa Sul e de Ceilândia. No dia 29 de abril de 2015, quando assisti ao programa, o pastor apresentador disse para as pessoas levarem uma garrafa de água no culto para receber a “gota do milagre”. Depois disso, foram exibidos vários depoimentos de pessoas contando que os problemas delas acabaram depois que beberam da água que havia recebido uma gota santificada. É o desafio da cura. Os pastores afirmam na TV que colocarão uma gota de água dentro da garrafa que o fiel levar e, posteriormente, essa água será bebida por ele ou por amigos e familiares. Também pode-se usar a água com a gota do milagre para cozinhar, borrifar em casa ou no trabalho.

São inúmeros os depoimentos exibidos nos programas de televisão atestando que a gota santificada é milagrosa. Na segunda vez que assisti ao programa, no dia 2 de maio de 2015, uma mulher deu um depoimento dizendo que usava a água no suco e que, depois que fez isso, teve paz em sua casa. A água, explicou o pastor na televisão, foi consagrada em sete locais importantes de Israel como rio Jordão, mar da Galiléia, Monte Moriá, tanque de Betesda, no túmulo de Jesus e no mar Morto. “Quando essa gota chegar até você as coisas que todos duvidavam chegará em sua vida. Nessa água há o poder de Deus com a unção das sete águas mais poderosas do mundo”, comentou o pastor. Ele referia-se aos locais de Israel já citados acima.

Uma mulher levou os exames para comprovar que estava curada de câncer no colo do útero e afirmou no ar: “o médico disse que se demorasse mais um pouco eu poderia cavar a cova que eu iria morrer. Peguei a água com a gota do milagre e fui curada”, disse. Outro homem, identificado somente pelo nome de Laurindo (porque no programa não se exibe os nomes e sobrenomes das pessoas que dão seus depoimentos) disse que havia sido curado de glaucoma. Inclusive levou os exames para confirmar o milagre. Em outro depoimento, um homem chamado Rafael disse que estava em casa assistindo ao programa. Tinha problema de coluna há três anos. Recebeu a oração da cura e ficou bom. Por isso decidiu ir ao templo dar seu depoimento. Já era a segunda vez que visitava a Universal. Em outra imagem, o programa mostrou exames de uma mulher que estava com cacinomo micro invasor no colo do útero. De acordo com ela, teria sido curada. Inclusive levou três exames (um que atestava a doença e outros dois que confirmava que não estava mais enferma). De acordo com a mulher, foi a oração que recebeu que trouxe a solução do problema.

Além da gota milagrosa que foi consagrada em Israel de acordo com os pastores, também tem azeite consagrado no Brasil, no templo de Salomão, em São Paulo, que servirá para os fiéis usarem nas emergências. É a “gota do milagre urgente”. O pastor Irineu (sobrenome não mencionado no vídeo) disse que a pessoa deveria guardar a gota do milagre a sete chaves e somente usá-la no momento de necessidade extrema. “Eu tenho certeza que quando você precisar de usar essa gota Deus vai se manifestar de forma gloriosa na sua vida”, disse o pastor (1).

Outra prática comum na Universal é pedir para as pessoas colocarem um copo d’água em cima da televisão. Durante o programa o apresentador faz uma oração e, logo depois, a pessoa – esteja onde estiver, bebe a água para receber a cura de uma doença. No “Programa Nosso Tempo” o pastor disse ao orar que “no momento que ela (a pessoa) beber, seja o Teu poder (Deus) entrando na vida dela. Livrando essa alma de toda dor que vem assolando esse corpo. Que em todo lugar que chegue essa oração, que também chegue a Tua bênção Senhor”. Na tela da TV o apresentador sempre bebe a água depois de orar. Ele afirmou: “prepare-se porque vai acontecer o que nunca aconteceu.”

As campanhas são muitas. Para casar, para tornar-se empreendedor de sucesso, para abrir bons caminhos na vida. O site “G Notícias” duplicou a fotografia abaixo e a manchete: “Igreja Universal pede para que fiéis levem meias para serem consagradas no caminho santo para abrir caminhos” ( 2).



No “Programa Nosso Tempo”, exibido em 2 de maio de 2015, os fiéis de Brasília e também as pessoas não evangélicas foram convidadas ainda a participar de um projeto do “chaveiro com candelabro”. O pastor disse que o chaveiro seria distribuído gratuitamente e que iria substituir os chaveiros antigos. O candelabro, explicou o apresentador, é “o símbolo da manifestação do espírito de Deus. Onde porta se abre, vamos ver a manifestação do poder de Deus. Queremos que, onde você for, haja manifestação do poder de Deus”, disse o pastor. O chaveiro seria distribuído no culto de domingo, em sete cultos com horários diferentes, na igreja sede localizada na Asa Sul, no endereço EQS 212/ 213. O pastor convidou as pessoas que queriam sucesso profissional para receber as sete forças de Deus que estavam simbolizadas no candelabro israelense que tem sete braços. Na telinha foi exibido o depoimento de um homem dizendo: “no momento que peguei esse candelabro as portas se abriram para a minha vida”. A ideia é buscar de Deus sabedoria para os negócios profissionais terem sucesso e espírito de conhecimento. “Muitas pessoas perdem tudo porque recebem conselhos errados no mundo dos negócios. Não existe melhor conselheiro do que Deus para você prosperar. Quando você tem sabedoria de Deus não é enganado por ninguém”, disse o pastor.

Existem objetos (sim, pode usar a palavra amuleto) que são distribuídos gratuitamente pela Iurd. Mas existe também a prática de pedir que o fiel dê dinheiro. O discurso é sempre de que depois poderá pedir o que quiser e será atendido por Deus. Aliás, ser fiel nas doações de dinheiro é um requisito para depois ter a autoridade de reivindicar bênção de Deus.

Quanto à Igreja Mundial do Poder de Deus, em 2013 foi um escândalo que repercutiu na imprensa a venda de consórcio de viagem, óleo da unção, seguro de vida e auxílio funerário 100% Jesus. A “A Gazeta”, versão on line, divulgou reportagem com título “Cuidado com as armadilhas do mercado da fé” (3). Mostrou como os amuletos são usados para chamar a atenção das pessoas, sejam fiéis ou não. Entre vários produtos vendidos pela Igreja Mundial, um dos que causou polêmica no Brasil foi o Seguro de Vida e Auxílio Funerário 100% Jesus (folder abaixo) que cobrava R$ 24,90 por mês dos segurados. Essa venda era uma parceria da igreja com a corretora Sossego e a Mapfre. O seguro dava cobertura de R$ 8 mil e assistência funeral de R$ 3 mil e ainda vale-alimentação por seis meses aos beneficiários.



A reportagem cita que “no mercado da fé, que tem movido uma montanha de dinheiro (...) há casos de empresas e instituições religiosas que chegam a vender a santa ceia e óleo da unção pelos Correios”. Em entrevista para o jornal “A Gazeta”, a promotora Sandra Lenvruber disse que havia notificado a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e iria verificar quanto à legalidade do serviço para observar se o nome do mesmo levaria o consumidor a ficar vulnerável à compra do produto. A Promotoria de Defesa do Consumidor de Vitória fez uma investigação para saber sobre a regularidade do serviço, se o mesmo é coerente, respeita a harmonia das relações de consumo ou faz propaganda enganosa. Na época da venda do seguro, ano de 2013, o sites que teriam a responsabilidade de comercializar tiraram do ar o produto depois que a repercussão na imprensa foi ruim. A reportagem acrescentou: “na Idade Média, o comércio de relíquias sagradas e mesmo de um pedaço do céu garantia ao homem pecador a possibilidade de se livrar da pena adquirida pelos seus erros. Na modernidade, as indulgências continuam a exercer o mesmo poder. Porém, seus conceitos foram renovados e embutidos em produtos e serviços como seguros de vida associados a Cristo, amuletos da salvação, cartões de crédito missionários, consórcios de viagem espiritual a Israel, pílulas de emagrecimento milagroso, carnês da cura são vendidos por igrejas, seitas e grupos religiosos nos templos, na internet e na TV. Em alguns casos, não é preciso comprar diretamente a bênção. Ao fazer doação em dinheiro ou de bens, o religioso está apto a receber, não só um mover sobrenatural, mas brindes e presentes como CD de músicos famosos, DVDs de grandes pregadores, revistas religiosas, cadernos, livros (...) e água consagrada capaz de realizar transformações.”

Aliás, essa prática do mercado da fé, da venda de indulgências, foi um dos motivos que levou Martinho Lutero a fazer a Reforma Protestante em 31 de outubro de 1517. A prática era comum na Igreja Católica, mas ele discordava disso. Lutero defendeu as “cinco solas”. A “sola gratia” (“somente a graça”) dizia que a salvação é de graça, um favor de Deus à humanidade e nada que o ser humano faça poderá alcançá-la sozinho, por mérito próprio, por obras e muito menos comprá-la. Um dos versículos que embasam essa ideia está em Efésios 2.8-9: “porque pela graça sois salvos, mediante a fé. Isso não vem de vós; é dom de Deus. Não de obras para que ninguém se glorie” (4). Além da “sola gratia”, Lutero defendeu ainda a “Sola fide” (“somente pela fé”), “sola Scriptura” (“somente a Escritura”), “sola Christus” (“somente Cristo”) e “sola Deo gloria” (“a glória somente a Deus”).

A crítica social
Seria cômico se não fosse trágico e destrutivo espiritualmente e socialmente falando. Mas o “Portal dos Fundos” fez piada com o que os simbolismos significam para as igrejas neopentecostais. Uma crítica humorada, mas séria, sobre a venda de simbologias como se fosse a entrega de bênçãos.

Com um vídeo de 2min39seg, atores mostraram a “Igreja Universal do Pão em Cristo” (5). Atores encenaram fiscais que entram em uma espécie de padaria cujo dono e comerciante está no balcão atendendo às pessoas. Ao ser interrogado da necessidade de pagar impostos por ser um estabelecimento comercial – lembre-se que no Brasil a lei isenta as igrejas de pagar impostos (todas as igrejas, de todas as religiões), o comerciante ator diz que ali não é padaria, mas uma igreja. Em cada doação, o fiel ganha um brinde. “A pessoa doa R$ 2.50 e ganha um quibe abençoado. Doa R$ 4.50 e ganha ciabata cristã com direito a um sagrado refresco. Doa R$ 13,20 e recebe o almoço episcopal”, diz o texto do ator, em forma de piada.

Ela tem um perfil no Facebook e escreveu um livro com o mesmo título: “Fé, vitrines e mercado: o marketing na Igreja Universal” (6). A publicitária Rafaela Barbosa analisa, na sua obra, como a IURD usa técnicas marqueteiras para vender suas ideias. Em outras palavras, as doações propostas pela Universal em troca de benefícios espirituais. É o discurso religioso como discurso mercadológico. “A autora explica que a instituição religiosa analisa os problemas e a situação de vida de seus fiéis de forma a desenvolver estratégias de convencimento”, disse o repórter Dan Martins, no portal “G Notícias”, ao escrever sobre o lançamento do livro que foi fruto de pesquisa e de visitas a vários templos da Universal. O exemplo mostra a ligação existente entre o discurso religioso e o marketing. É a mostra de como uma religião cria mecanismo para crescer e ganhar novos adeptos.

O portal “Observatório da Imprensa” publicou artigo intitulado “A industrialização do sagrado” (7) mostrando como os neopentecostais, principalmente a Iurd, usa a fé para praticar comércio. Afirmando que o mercado da fé é algo comum no mundo pós-moderno, o artigo enfatiza que grupos de igrejas fazem empreendimentos ao criar produtos para difundir doutrinas. Afirma ainda que as mudanças socioeconômicas e culturais geradas pelo capitalismo levaram os neopentecostais a se reordenarem, seguindo lógicas capitalistas para sobreviver economicamente. Para isso, os neo adotaram posturas de consumo que legitimam suas doutrinas e têm na mídia um meio eficaz de divulgar suas ideias como a Teologia da Prosperidade. “Teologia da Prosperidade é o conjunto de princípios teológicos que sustentam ter o cristão verdadeiro o direito de obter prosperidade, tanto material quanto espiritual, e de exigi-las por meio da doação de ofertas e dízimos para Deus. O fiel pode, durante a vida presente na Terra, desfrutar de tudo que lhe é garantido”, diz o texto do artigo. Além do uso da TV para crescer, rádios, portais, revistas e jornais são usados como estratégias de comunicação com a sociedade. “O poder comunicacional endossa o discurso de prosperidade, seja para tentar ganhar adeptos, seja para comercializar suas produções espirituais (...). Somados, o uso dos meios de comunicação e de técnicas de marketing e propaganda, a legitimação da Teologia da Prosperidade (...) e o trabalho dos dirigentes e colaboradores (...) asseguram o desenvolvimento da Igreja Universal”, diz os autores do artigo do portal.

A crítica dos próprios evangélicos
As igrejas evangélicas – sejam tradicionais ou renovadas, discordam da prática de comércio dos neopentecostais. O depoimento do pastor e estudante de Teologia Gerson Alves expressa bem a ideia. Ao fazer seu trabalho final de conclusão de curso com o título “Neopentecostalismo, um desserviço ao Evangelho”, Gerson afirma que “a liturgia de um culto deve enfatizar o senhorio de Jesus e não apenas usá-lO como provedor das necessidades humanas. O culto neopentecostal é pobre de Bíblia. A Bíblia não é central, é periférica. As pregações são cheias de chavões positivos como ‘Deus tem uma vitória para você nessa noite’, ‘o gigante será derrotado nesse culto’, ‘use a fé e prospere’. Enfim, é uma epidemia de confissões positivas e pouquíssima Bíblia. Dificilmente se ouvirá uma mensagem sobre perdão de pecados, a necessidade de arrependimento, vida de renúncia e a volta de Jesus nos púlpitos neopentecostais”, diz o pastor Gerson.

Tem mercado para a fé e o consumo da religião no Brasil?
A resposta é sim. É necessário recorrer aos números oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) para mostrar o avanço religioso brasileiro e demonstrar como por aqui a fé não caiu no esquecimento e o secularismo, apesar de existir, não tomou conta do imaginário social. A tabela abaixo mostra a realidade religiosa do brasileiro (8).



Os números apontam que atualmente 64,6% da população é católica (123 milhões de pessoas), 22,2% é evangélica (42,3 milhões de fiéis), 2% é espírita, 0,3% é do candomblé e umbanda, 2,7% de outras religiões, 8% sem religião e 0,1% dos entrevistados não sabem ou não responderam à pesquisa.

O que será visto se fizer uma comparação do censo de 2010 com o do ano 2000? O que se pode interpretar desses números oficiais? Ao comparar ambos os censos, percebe-se que os católicos eram 73,6% da população (portanto houve diminuição do número de fiéis católicos), os evangélicos eram 15,2% (portanto, houve crescimentos desse segmento), os espíritas eram 1,3% (também houve pequeno crescimento no número de pessoas espíritas), o candomblé a e a umbanda tinham 0,3% de adeptos (o quadro permanece o mesmo, sem alteração na quantidade de fiéis), os sem religião eram 7,4% dos brasileiros (então houve crescimento desse grupo que se considera sem religião) e 0,2% dos entrevistados não sabem ou não declararam.

De todos esses números, três grupos merecem destaque: os católicos que perderam fiéis, evangélicos que cresceram e o aumento no número de pessoas que se consideram sem religião. A Igreja Católica continua sendo a maior em termos de número de fiéis no Brasil. Mesmo assim, o IBGE mostra que a igreja está perdendo fiéis. É um declínio acentuado e, para mudar esse quadro, o papa Francisco esteve recentemente no país para realizar a Jornada Mundial da Juventude, em 2013. A redução no percentual de católicos é geral em todas as regiões, porém mais elevada no Nordeste, no Norte e no Sul.

Por que os católicos diminuíram? Porque os fiéis dessa igreja foram para outras religiões. Para o segmento evangélico, por exemplo, que cresceu. Mas esse crescimento não é tão recente. Vem acontecendo nos últimos dez anos. Hoje somam-se 42,3 milhões de pessoas se professam a fé evangélica (22,2% da população). As pesquisas do IBGE constataram que o aumento no número de evangélicos é proporcional ao declínio constante da religião católica (mesmo com a queda, hoje existem 123 milhões de pessoas católicas no Brasil, ou seja, 64,6% da população). A maioria dos católicos – assim como os sem religião, são homens. Nos demais grupos religiosos as mulheres são maioria.

Por que os evangélicos cresceram? A pesquisa do IBGE aponta que foi graças à expansão das igrejas (aumento do número de templos em todas as cidades) e a veiculação de programas religiosos nas emissoras de televisão. Rondônia tem a maior concentração de evangélicos e o Piauí, a menor. A Assembleia de Deus é a igreja com maior número de crentes. Esse grupo é considerado pentecostal.

Já os sem religião também chamam a atenção. Somam 15,3 milhões de brasileiros entre idade de 20 a 24 anos, sendo a maioria homens, moradores do Sudeste. Uma curiosidade. Por força da imposição do catolicismo como religião oficial do Brasil até o início da República (isso mudou com a Constituição de 1891 que estabeleceu a separação entre religião e Estado), até 1872 nenhum cidadão brasileiro se declarava sem religião. Hoje a realidade mudou. Existem mais pessoas sem religião do que adeptos do espiritismo. “Isso mostra os deslocamentos que estão ocorrendo no campo religioso”, apontam os autores Reblin e Sinner que acrescentam que a “oferta e a procura da religião continuam fortes e se diversificaram [...]. Os católicos estão perdendo membros em todas as direções, ao passo que as igrejas pentecostais, além dos chamados ‘sem religião’, estão entre os grandes ganhadores” (9). Como se percebe por meio da análise dos números, existe, sim, terreno fértil para que a religião cresça no Brasil. E o mercado da fé também. Têm muitas pessoas para consumir produtos religiosos.

Referências
           1.  https://www.youtube.com/watch?v=s5aRhJle2zI Acessado em: 2/5/15.





4.  https://www.bibliaonline.com.br/acf/ef/2 Acessado em: 2/5/15




6. http://noticias.gospelmais.com.br/livro-compara-discurso-igreja-universal-praticas-marketing-64586.html Acessado em: 2/5/15







Denise Santana é jornalista, teóloga e professora